O NAS vem sem disco. Este guia é para você acertar na primeira compra.
Todos os 16 modelos Orico são vendidos diskless — o disco é escolha sua, e é onde mora a maior parte do custo e praticamente todo o risco. Formato físico errado não encaixa; tipo de gravação errado transforma uma reconstrução de RAID em perda de dados; e a capacidade que você compra nunca é a que aparece na tela.
Três formatos, e eles não são intercambiáveis
Antes de qualquer discussão sobre marca ou capacidade: o disco precisa caber. Os desenhos abaixo estão na proporção real entre si — a diferença de volume entre um 3,5" e um M.2 explica sozinha por que um NAS de 5 baias é do tamanho que é.
3,5" (101,6 × 146 × 26,1 mm) — o HD mecânico tradicional. É onde estão as maiores capacidades e o menor custo por TB. Todo modelo Orico de 2 baias ou mais aceita este formato.
2,5" (69,85 × 100 mm) — pode ser HD mecânico fino ou SSD SATA. É o único formato que os modelos de baia única (CD2510 e CD3520) aceitam, e todos os modelos maiores também aceitam.
M.2 2280 (22 × 80 mm) — SSD NVMe, sem parte móvel. Não é baia de disco: é um slot na placa, presente só em alguns modelos (HS200-Pro, HS500-Pro, CS200-Pro e a linha CyberData Vault). Não substitui as baias SATA, soma a elas.
Compatibilidade e teto de capacidade, modelo por modelo
Números declarados pela Orico na ficha de cada produto. O teto por baia importa: comprar um disco acima dele desperdiça dinheiro, porque o NAS não vai enxergar o excedente.
| Modelo | Baias SATA | Slots M.2 | Formatos aceitos | Teto declarado |
|---|---|---|---|---|
| CD2510 | 1 | — | 2,5" SATA | 8TB |
| CD3520 | 1 | — | 2,5" SATA | 20TB |
| TS200 | 2 | — | 2,5" e 3,5" SATA | 40TB (20TB por baia) |
| TS500 | 5 | — | 2,5" e 3,5" SATA | 100TB (20TB por baia) |
| HS200-Pro | 2 | 2 | 2,5" e 3,5" SATA + M.2 NVMe 2280 | 76TB (2×30TB SATA + 2×8TB M.2) |
| HS500-Pro | 5 | 2 | 2,5" e 3,5" SATA + M.2 NVMe 2280 | 166TB (5×30TB SATA + 2×8TB M.2) |
| MetaServer-Zero | 5 | — | 2,5" e 3,5" SATA | 90TB |
| CS200-Pro | 2 | 2 | 2,5" e 3,5" SATA + M.2 NVMe 2280 | 24TB por HDD · 8TB por SSD |
| CF100 | 1 | — | SATA | 4TB a 8TB |
| CF200 | 2 | — | SATA | 8TB a 16TB |
Os seis modelos da linha CyberData Vault (CF500, CF500-Pro, CF56, CF56-Pro, CF6 e CF1000) ainda não têm chegada ao Brasil confirmada — os tetos declarados por eles vão de 48TB a 256TB, e o CF6 é o único totalmente sem baia SATA, com seis slots M.2. A Orico não publica ficha técnica em PDF de nenhum modelo, então tudo aqui vem da tabela de especificações da página de cada produto.
O CS200-Pro tem uma inconsistência na fonte: a Orico declara "24TB por HDD, 8TB por SSD, total de 64TB expansível", mas também mostra num quadro separado que a conta fecha como 2 baias × 24TB mais 2 slots × 8TB. Trate 64TB como o teto do conjunto, não de uma baia.
CMR ou SMR: a diferença que só aparece quando um disco falha
Dois discos podem ter a mesma capacidade, o mesmo formato, o mesmo preço — e um deles ser péssimo para RAID. A diferença está em como as trilhas magnéticas são gravadas no prato, e quase nunca está escrita na caixa.
O SMR sobrepõe as trilhas como telhas de um telhado para caber mais dado no mesmo prato — daí o nome, shingled. Para ler, tanto faz. O problema é escrever no meio: alterar uma trilha exige reescrever todas as que estão sobrepostas a ela.
Por que isso é grave num NAS: reconstruir um array depois de trocar um disco que falhou é justamente horas de escrita contínua e desordenada. Num disco CMR é lento. Num SMR pode ficar lento a ponto do NAS interpretar a demora como defeito e derrubar a reconstrução — no exato momento em que os seus dados estão sem redundância.
O que fazer: compre CMR e confirme na ficha técnica do fabricante do disco, não na embalagem. As linhas vendidas explicitamente para NAS costumam ser CMR, mas houve casos notórios de fabricantes trocando CMR por SMR dentro da mesma linha sem alterar o nome do produto — conferir o número exato do modelo é o único caminho seguro.
Capacidade útil: o que cada modo de RAID cobra de você
A soma dos discos não é o espaço disponível. Redundância custa disco — e é exatamente esse custo que devolve os seus arquivos quando um disco morre. Os desenhos mostram quatro discos de 4TB em cada modo.
RAID não é backup. Ele protege contra a falha física de um disco, e só. Apagou por engano, pegou ransomware, queimou a fonte com tudo dentro, roubaram o equipamento — o RAID não ajuda em nenhum desses casos. Um NAS bem montado tem RAID e uma cópia fora dele.
Some ainda a diferença de unidade: o fabricante do disco conta 1TB como 1 trilhão de bytes; o sistema operacional conta em base binária. Um disco de 4TB aparece como aproximadamente 3,64TiB na tela. São cerca de 9% que somem antes mesmo do RAID entrar na conta.
Nem todo modelo oferece todos os modos: os de baia única não têm RAID nenhum, o TS200/HS200-Pro/CS200-Pro/CF200 vão até RAID 1, e RAID 5, 6 e 10 aparecem só nos modelos de 5 baias ou mais. A tabela de cada série mostra o que está disponível.
A conta que evita comprar duas vezes
Trocar disco depois de o array estar montado costuma significar refazer o volume — e refazer o volume apaga os dados. Vale dimensionar com folga desde o começo.
Meça o que você tem hoje
Some o que realmente vai para o NAS: fotos, vídeos, documentos, backups das máquinas. Esse é o seu ponto de partida, não a capacidade do HD antigo.
Multiplique por três
Um terço para o que existe, um terço para o crescimento dos próximos anos, um terço de folga. Array acima de 80% fica lento e não deixa espaço para snapshot nem para a reconstrução.
Desconte o RAID
Escolha o modo antes de comprar. Em RAID 1 metade da capacidade some; em RAID 5, o equivalente a um disco. Use o diagrama acima para converter o que você precisa no que precisa comprar.
Exemplo completo, do começo ao fim
Você tem 2TB de arquivos e quer proteção contra falha de disco. Multiplicando por três, precisa de aproximadamente 6TB utilizáveis. Em RAID 5 com quatro discos, o espaço útil é o de três — então quatro discos de 3TB dariam 9TB úteis, com sobra confortável. Em RAID 1 com dois discos, seriam dois de 8TB para chegar a 8TB úteis. O primeiro caso pede um modelo de 5 baias (TS500, HS500-Pro ou MetaServer-Zero); o segundo resolve num de 2 baias.
O que mais aparece na cotação
Posso usar um HD comum de desktop?
Funciona, mas não é o indicado em array com RAID. Disco de desktop é feito para ligar e desligar e trabalhar sozinho; num NAS ele fica ligado o tempo todo, dividindo vibração com os vizinhos. As linhas vendidas para NAS existem por causa disso: tolerância a vibração, ciclo contínuo e firmware que não trava o array durante a recuperação de um setor.
Preciso comprar todos do mesmo tamanho?
Em RAID, sim na prática — o array usa o menor disco como referência e o resto fica ocioso. Para misturar tamanhos sem desperdício existe o LVM (MetaCube e MetaServer-Zero), que soma as capacidades, mas não tem redundância nenhuma.
Dá para começar com um disco e crescer?
Volume Basic ou LVM aceita crescer. Array RAID normalmente é criado com o número de discos já definido, e mudar depois costuma exigir refazer o volume — o que apaga tudo. Se o plano é crescer aos poucos, diga isso na cotação: a orientação muda conforme o modelo.
Para que serve o slot M.2 dos modelos que têm?
A Orico soma esses slots ao teto de capacidade (no HS500-Pro, 2×8TB M.2 além dos 5×30TB SATA), mas a documentação pública não deixa claro se funcionam como cache de leitura ou como volume independente. Confirme com a IRD antes de comprar o M.2 contando com ele como espaço utilizável.
Na dúvida entre dois discos, pergunte antes de comprar
Diga o modelo do NAS, quantos TB você precisa e para que uso — a gente confirma o formato, o teto da baia e o modo de RAID que faz sentido.